Não existe uma única maneira de fotografar uma gestação. Gosto quando, no mesmo ensaio, a gente consegue passear pelo retrato, pela moda, pela silhueta e por imagens mais íntimas, sem transformar tudo numa fórmula pronta. Foi esse o caminho que encontrei nas fotografias da Roberta Raulino Zen.
Começamos no preto e branco, com o tricô claro, um banco e um fundo cheio de textura. Nessa primeira sequência, o que sustenta a imagem é bem simples: expressão, mãos, posição do corpo e a luz separando a Roberta do cenário. Não precisa de muito mais.
Depois, entra a cor e a linguagem muda. O casaco amplo, o jeans e os acessórios puxam o ensaio para um lado mais editorial. Em seguida, o tecido branco ganha movimento e a luz passa a desenhar a silhueta. São maneiras diferentes de olhar para a mesma fase, sem perder a unidade do trabalho.
Os retratos a dois acrescentam outra camada à sequência: proximidade, gesto e composição. Gosto especialmente de como as mãos encontram a barriga e criam um ponto de atenção sem precisar de uma cena complicada. Logo depois, voltamos ao retrato individual, com uma produção clara e uma luz mais suave.
No final, tem uma imagem que revela um pouco do próprio estúdio: o modificador de luz aparece dentro do quadro. Em vez de esconder completamente a construção, essa fotografia deixa o processo fazer parte da leitura. Para mim, esse detalhe conversa com o restante da série: a fotografia é feita de escolhas, e cada escolha muda o jeito como a gente vê.
No fim, gosto deste ensaio justamente porque ele não tenta caber em uma imagem só. É a Roberta em diferentes luzes, roupas, gestos e distâncias — e uma história visual que ganha força à medida que a gente passa de uma fotografia para a próxima.
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