Tem fotografia que não depende de uma época para funcionar. Quando olho para esta sequência com a Veronica Zardo, penso justamente nisso: imagens que podem ser revistas daqui a alguns anos sem precisarem explicar quando foram feitas.
Foi um shooting aqui no Estúdio TACCA. Preto e branco, couro, colares metálicos, uma luz que desenha o rosto e deixa a sombra ocupar boa parte do quadro. Gosto da sensualidade que aparece quando a gente tira quase tudo da cena e deixa o olhar, o gesto e a composição trabalharem.
Nas primeiras imagens, tudo é mais direto: retratos próximos, expressão, textura. Depois, a fotografia se abre, o corpo entra inteiro na composição e o espaço começa a contar também. É uma mudança de distância que altera o ritmo sem quebrar o ensaio.
No trecho final, a própria luz vira assunto. Os rastros claros, o movimento e o contraste trazem uma fotografia menos controlada, quase como se a gente pudesse enxergar um pouco do processo acontecendo. É essa passagem entre precisão e liberdade que mais me interessa nessa série.
Há algo aqui que conversa com a tradição do retrato de estúdio em preto e branco — penso na limpeza e no rigor de imagens de Irving Penn, como associação estética, não como referência declarada do shooting. No fim, meu objetivo é sempre o mesmo: fazer uma fotografia com identidade, que não precise de muita explicação para continuar interessante.
E se você está esperando um empurrãozinho para fazer seu ensaio: neste mês do meu aniversário, os ensaios estão com o dobro de fotos. Vem fotografar comigo.
Galeria do shooting
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